QUESTÕES PARA ENEM OU VESTIBULARES – FIM DA ESCRAVIDÃO E SUBSTITUIÇÃO DA MÃO DE OBRA ESCRAVA PARA LIVRE

QUESTÃO 01.  (ENEM 2010)

Negro, filho de escrava e fidalgo português, o baiano Luiz Gama fez da lei e das letras suas armas na luta pela liberdade. Foi vendido ilegalmente como escravo pelo seu pai para cobrir dívidas de jogo. Sabendo ler e escrever, aos 18 anos de idade conseguiu provas de que havia nascido livre. Autodidata, advogado sem diploma, fez do direito o seu ofício e transformou-se, em pouco tempo, em proeminente advogado da causa abolicionista.

AZEVEDO, E. O Orfeu de carapinha. In: Revista de História. Ano 1, n. o 3. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, jan. 2004 (adaptado).

 

A conquista da liberdade pelos afro-brasileiros na segunda metade do séc. XIX foi resultado de importantes lutas sociais condicionadas historicamente. A biografia de Luiz Gama exemplifica a:

  1. impossibilidade de ascensão social do negro forro em uma sociedade escravocrata, mesmo sendo alfabetizado.
  2. extrema dificuldade de projeção dos intelectuais negros nesse contexto e a utilização do Direito como canal de luta pela liberdade.
  3. rigidez de uma sociedade, assentada na escravidão, que inviabilizava os mecanismos de ascensão social.
  4. possibilidade de ascensão social, viabilizada pelo apoio das elites dominantes, a um mestiço filho de pai português.
  5. troca de favores entre um representante negro e a elite agrária escravista que outorgara o direito advocatício ao mesmo.

Resposta: alternativa 2

 

Comentários

A luta pela abolição da escravatura ocorreu de diversas formas, desde a atuação dos negros nas fazendas (fugas e rebeliões), até em ações nos tribunais, garantindo individualmente a liberdade a inúmeros cativos. Nesse último caso, destacou-se Luiz Gama, que nascido em 1830, tornou-se rábula e ficou famoso a partir de um de seus argumentos em defesa de escravos quando disse:  “ao matar o senhor, o escravo agia em legítima defesa”.

Ora, nesse sentido, observamos que as alternativa A e C estão incorretas, pois ainda que a ascensão de negros alforros fosse difícil, ela era possível.

Também está incorreta as letras D e E, pois elas informam que, de alguma forma, negros alforros e as elites caminhavam juntos.

A única alternativa que faz sentido é letra B, pois demonstra que  os negros, mesmo em uma sociedade hierarquizada e excludente, conseguiam se projetar com suas habilidades intelectuais.

 

QUESTÃO 02.  (ENEM – 2013)

A escravidão não há de ser suprimida no Brasil por uma guerra servil, muito menos por insurreições ou atentados locais. Não deve sê-lo, tampouco, por uma guerra civil, como o foi nos Estados Unidos. Ela poderia desaparecer, talvez, depois de uma revolução, como aconteceu na França, sendo essa revolução obra exclusiva da população livre. É no Parlamento e não em fazendas ou quilombos do interior, nem nas ruas e praças das cidades, que se há de ganhar, ou perder, a causa da liberdade.

NABUCO, J. O abolicionismo (1883). Rio de Janeiro: Nova Fronteira;
São Paulo: Publifolha, 2000 (adaptado).

 

No texto, Joaquim Nabuco defende um projeto político sobre como deveria ocorrer o fim da escravidão no Brasil, no qual

  1. copiava o modelo haitiano de emancipação negra.
  2. incentivava a conquista de alforrias por meio de ações judiciais
  3. optava pela via legalista de libertação
  4. priorizava a negociação em torno das indenizações aos senhores.
  5. antecipava a libertação paternalista dos cativos.

Resposta: alternativa 3

 

Comentários:

Diz Joaquim Nabuco:  “É no Parlamento e não em fazendas ou quilombos do interior, nem nas ruas e praças das cidades, que se há de ganhar, ou perder, a causa da liberdade.” Ou seja, ele não defendia medidas radicais e/ou violentas, tais como fugas, rebeliões, etc. Ao contrário, acreditava que a única forma que poderia se  efetivar o fim da escravidão era através da via legalista.

 

 

QUESTÃO 03. (ENEM 2013)

Ninguém desconhece a necessidade que todos os fazendeiros têm de aumentar o número de seus trabalhadores. E como até há pouco supriam-se os fazendeiros dos braços necessários? As fazendas eram alimentadas pela aquisição de escravos, sem o menor auxílio pecuniário do governo. Ora, se os fazendeiros se supriam de braços à sua custa, e se é possível obtê-los ainda, posto que de outra qualidade, por que motivo não hão de procurar alcançá-los pela mesma maneira, isto é, à sua custa?

 

Resposta de Manuel Felizardo de Souza e Mello, diretor geral das Terras Públicas,ao Senador Vergueiro. In: ALENCASTRO, L.F. (Org.) História da vida privada no Brasil. São Paulo:Cia das Letras, 1998 (adaptado).

 

 

O fragmento do discurso dirigido ao parlamentar do Império refere-se às mudanças então em curso no campo brasileiro, que confrontaram o Estado e a elite agrária em torno do objetivo de

 

  1. fomentar ações públicas para ocupação das terras do interior.
  2. adotar o regime assalariado para proteção da mão de obra estrangeira.
  3. definir uma política de subsídio governamental para o fomento da imigração.
  4. regulamentar o tráfico interprovincial de cativos para sobrevivência das fazendas.
  5. financiar a fixação de famílias camponesas para estímulo da agricultura de subsistência.

 

Resposta: alternativa 3

 

Comentários:

 

O texto faz referência aos debates e discussões existentes sobre a forma de trabalho e a mão de obra a serem adotadas no Brasil com o possível fim da escravidão, no final do Segundo Reinado, portanto, nas décadas finais do século XIX.

O senador afirma que o governo imperial não estaria disposto a adotar uma política de subsídios a fim de fomentar a imigração e que essa tarefa continuaria nas mãos dos cafeicultores.

Na verdade, o texto demonstra a discussão entre os cafeicultores e o Estado brasileiro acerca da vinda do imigrante e da consequente mudanças nas relações de trabalho.

 

 

QUESTÃO 04. (Enem 2015)

 

Texto I:

Em todo o país a lei de 13 de maio de 1888 libertou poucos negros em relação à população de cor. A maioria já havia conquistado a alforria antes de 1888, por meio de estratégias possíveis. No entanto, a importância histórica da lei de 1888 não pode ser mensurada apenas em termos numéricos. O impacto que a extinção da escravidão causou numa sociedade constituída a partir da legitimidade da propriedade sobre a pessoa não cabe em cifras.

ALBUQUERQUE. W. O jogo da dissimulação: Abolição e cidadania negra no Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, 2009 (adaptado).

 

Texto II:

Nos anos imediatamente anteriores à Abolição, a população livre do Rio de Janeiro se tornou mais numerosa e diversificada. Os escravos, bem menos numerosos que antes, e com os africanos mais aculturados, certamente não se distinguiam muito facilmente dos libertos e dos pretos e pardos livres habitantes da cidade. Também já não é razoável presumir que uma pessoa de cor seja provavelmente cativa, pois os negros libertos e livres poderiam ser encontrados em toda parte.

CHALHOUB, S. Visões da liberdade: uma história das últimas décadas da escravidão na Corte. São Paulo: Cia. das Letras, 1990 (adaptado).

 

Sobre o fim da escravidão no Brasil, o elemento destacado no Texto I que complementa os argumentos apresentados no Texto II é o(a)

  1. Variedade das estratégias de resistência dos cativos.
  2.  Controle jurídico exercido pelos proprietários.
  3. Inovação social representada pela lei.
  4. Ineficácia prática da libertação.
  5. Significado político da Abolição.

 

Gabarito: alternativa 5

 

Comentário

Observe que o texto I não só afirma que a maior parte dos negros já era livre, como diz que a “importância histórica da lei de 1888 não pode ser mensurada em termos numéricos”.  Ou seja, a lei só confirmou uma situação que já vinha ocorrendo.

Observe, ainda, que o texto II afirma que “negros libertos e livres poderiam ser encontrados em toda parte”, ou seja, há uma confirmação do que foi dito no primeiro texto.

Ora, a Lei Áurea de 1888 veio, nesse sentido, a fim de agradar a boa parte das elites cafeeiras e tentar acalmar abolicionistas que, na medida em que lutavam pela abolição da escravatura, colocavam-se contra o Estado, o governo de D. Pedro II. Vale lembrar que a campanha abolicionista mobilizou diversos setores da sociedade, mas após a publicação da Lei Áurea os negros foram deixados à própria sorte, pois não houve reforma alguma que pudesse integrá-los à sociedade e às novas regras de trabalho assalariado.

Ao contrário, houve uma exacerbação do racismo!!…

 

 

QUESTÃO 05. (ENEM – 2011)

Foto de Militão, SãoPaulo, 1879. ALENCASTRO, L.F. (org). História da vida privada no Brasil. Império: a corte e a modernidade nacional. São Paulo: Cia. Das Letras, 1997. (Foto: Reprodução/Enem)

O uso de trajes simples indica a rápida incorporação dos ex-escravos ao mundo do trabalho urbano.Que aspecto histórico da escravidão no Brasil do séc.  XIX, pode ser identificado a partir da análise do vestuário do casal retratado acima?

  1. A presença de acessórios como chapéu e sombrinha aponta para amanutenção de elementos culturais de origem africana.
  2. O uso de sapatos é um importante elemento de diferenciação social entre os negros libertos ou em melhores condições na ordem escravocrata.
  3. A utilização do paletó e do vestido demonstra a tentativa de assimilação de um estilo europeu como forma de distinção em relação aos brasileiros.
  4. A adoção de roupas próprias para o trabalho doméstico tinha como finalidade demarcar as fronteiras da exclusão social naquele contexto.

Resposta: alternativa 3

 

Comentário:

Nas sociedades escravistas colonial e imperial brasileira a indumentária era utilizada frequentemente como marca de distinção social. Quando um negro era alforriado esforçava-se para comprar roupas e, sobretudo, sapatos que o diferenciaria dos escravos.

Escravos eram proibidos de usarem sapatos.  Nesse sentido, o uso destes era um importante elemento de distinção social entre negros livres e os que permaneciam escravos.

 

QUESTÃO 06. (adaptação de várias questões)

“Fugiu da fazenda do Cruzeiro, distrito da Gloria, (…) Joaquim escravo pertencente ao tenente Antonio Lopes de Faria, com os seguintes sinais: crioulo, barbado, alto, cheio de corpo, boa dentadura, sobrancelhas serradas (…) aleijado e no cotovelo num dos braços tem uma cortadura, pés tortos para dentro e nos dedos grandes dos pés não tem unhas, sinais de chicotadas pelo corpo, entende de carpinteiro, é bom tropeiro; dá-se a quantia de 100$000 a quem o trouxer e entregar a seu senhor e pondo em alguma cadeia ou dando notícias certas gratifica-se com 50$000 (…).”

Jornal O Constitucional de Ouro Preto, 20 de julho de 1879, p.4

 

O texto acima faz alusão a alguns elementos do cotidiano da vida do escravo. Pelas informações contidas

  1. Afirma-se que a rebeldia caracterizada no texto pela fuga de um escravo era uma forma de resistência, ainda que pouco recorrente na história brasileira.
  2. Conclui-se que o castigo físico fazia parte do cotidiano do escravo, pois era um instrumento usado a fim de ensinar as regras do bom convívio em sociedade.
  3. Infere-se que esse cotidiano era excelente, pois garantia diariamente, nas lavouras, o exercício físico e, portanto, a boa saúde do escravo cativo.
  4. Observa-se que a descrição física detalhada do escravo foragido demonstrava o lamentável processo ideológico de coisificação do indivíduo.
  5. Afirma-se que há uma clara aceitação do escravo em reação ao lugar periférico que ele ocupa na sociedade.

Resposta: alternativa 4

 

Comentários:

Alternativa 1:  falsa, pois a fuga e as demais formas de resistência eram bastante recorrentes.

Alternativa 2:  falsa,  pois os castigos físicos não objetivavam garantir ao negro escravo um bom convívio em sociedade. Aliás, ele, no geral, não convivia com a sociedade dos senhores.

Alternativa 3:  falsa, pois o trabalho árduo não era estabelecido com o  fim de garantir a saúde do escravo.

Alternativa 4:  verdadeira, pois fica claro, na descrição detalhada do anuncio, que o escravo era mesmo visto como uma coisa, um objeto e, portanto, sua captura deveria ser recompensada como o de qualquer objeto perdido.

Alternativa 5:  falsa, pois o escravo nunca aceitou o lugar periférico que ocupou e prova disso foram as inúmeras manifestações de resistência.

 

 

QUESTÃO 07.  ( FUVEST – SP)

 Naquela época não tinha maquinaria, meu pai trabalhava na enxada. Meu pai era de Módena, minha mãe era de Capri e ficaram muito tempo na roça. Depois a família veio morar nessa travessa da Avenida paulista; agora está tudo mudado, já não entendo nada dessas ruas.

 

Esse trecho do depoimento de um descendente de imigrantes, transcrito da obra Memória e Sociedade, de Ecléa Bosi, constitui um documento importante para análise

  1. do processo de crescimento urbano paulista do início do século atual, que desencadeou crises constantes entre fazendeiros de café e industriais.
  2. da imigração europeia para o Brasil, organizada pelos fazendeiros de café nas primeiras décadas do século XX, baseada em contratos de trabalho conhecidos como “sistema de parceria”.
  3. da imigração italiana caracterizada pela contratação de mão de obra estrangeira para a lavoura cafeeira, e do posterior processo de imigração e de crescimento urbano de São Paulo.
  4. do percurso migratório italiano promovido pelos governos italiano e paulista, que organizavam a transferência de trabalhadores rurais para o setor manufatureiro.
  5. da crise da produção cafeeira da primeira década do século XX, que forçou os fazendeiros paulistas a desempregar milhares de imigrantes italianos, acelerando o processo de industrialização.

 

Resposta: Alternativa 3

Comentários:

Alternativa 1 – falsa, pois, no geral, não houve crises entre os fazendeiros de café e os industriais. Os industriais do início do século XX, em São Paulo eram, normalmente, oriundos dos cafeicultores.

Alternativa 2 – falsa, pois o sistema de parceria existiu no século XIX e não no XX, não deu certo e nada tem em comum com a industrialização.

Alternativa 3– verdadeira, pois os imigrantes, sobretudo italianos, chegaram em larga escala, especialmente em São Paulo e foram trabalhar nas lavouras de café e, também, na nascente indústria.

Alternativa 4 – falsa, pois o governo italiano e o paulista não fizeram acordo no sentido de transferir mão de obra para a produção manufatureira.

Alternativa 5 – falsa, pois não houve crise do café no momento da chegada dos imigrantes. A crise virá posteriormente com a quebra da bolsa de New York.

 

 

QUESTÃO 08. (ENEM)

Antonio Rocco. Os imigrantes, 1910, Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Um dia, os imigrantes aglomerados na amurada da proa chegavam à fedentina quente de um porto, num silêncio de mato e de febre amarela. Santos. — É aqui! Buenos Aires é aqui! — Tinham trocado o rótulo das bagagens, desciam em fila. Faziam suas necessidades nos trens dos animais onde iam. Jogavam-nos num pavilhão comum em São Paulo. — Buenos Aires é aqui! — Amontoados com trouxas, sanfonas e baús, num carro de bois, que pretos guiavam através do mato por estradas esburacadas, chegavam uma tarde nas senzalas donde acabava de sair o braço escravo. Formavam militarmente nas madrugadas do terreiro homens e mulheres, ante feitores de espingarda ao ombro.

 

Oswald de Andrade. Marco Zero I — Chão. Rio de Janeiro: Globo, 1991.

Levando-se em consideração o texto de Oswald de Andrade e a pintura de Antonio Rocco reproduzida acima, relativos à imigração europeia para o Brasil, é correto afirmar que

  1. a visão da imigração presente na pintura é trágica e, no texto, otimista.
  2. a pintura confirma a visão do texto quanto à imigração de argentinos para o Brasil.
  3. os dois autores retratam dificuldades dos imigrantes na chegada ao Brasil.
  4. Antonio Rocco retrata de forma otimista a imigração, destacando o pioneirismo do imigrante.
  5. Oswald de Andrade mostra que a condição de vida do imigrante era melhor que a dos ex-escravos.

Resposta: alternativa 3

 

Comentários:

Quando observamos a imagem e o texto percebemos que as duas fontes, de formas diferentes, tratam da chegada dos imigrantes numa perspectiva semelhante, ou seja,  tratam das dificuldades pelos quais esses estrangeiros, no geral, passaram ao chegar ao Brasil.

 

 

QUESTÃO 09. (INÉDITA – MATERIAL CINCO LETRAS)

 “(…) devemos dar um salto ao sertão da Bahia. Aí se formara (…) em uma fazenda abandonada, uma povoação conhecida como Arraial de Canudos. Seu líder era (…) Antônio Conselheiro. (…) Exerceu várias profissões (…) até se converter em beato. Levava uma vida nômade pelo sertão, congregando o povo para construir e reconstruir igrejas, erguer muros de cemitério e seguir o caminho de uma vida ascética. Fixou-se depois em Canudos, atraindo a população sertaneja, em número que alcançou de 20 a 30 mil pessoas.”                                                                   

FAUSTO, Boris. História do Brasil

 

Apesar de muito humilde e isolado do centro de poder, no Rio de Janeiro, o Arraial de Canudos incomodou muito e foi dizimado pelas autoridades brasileiras na Guerra de Canudos (1896/97).

Canudos “incomodou muito”, pois

  1. foi fruto das grandes injustiças que existiam no Brasil e, especialmente, no sertão, fruto da concentração fundiária e das leis trabalhistas injustas e sem praticidade alguma.
  2. descortinava o total descaso das elites fundiárias e dos governos estatuais e federal com a maioria da população carente sertaneja, numa estrutura agrária viciada.
  3. existiu, tão somente, como fruto de uma isolada e enorme tensão social sertaneja ocorrida em função de uma situação climática atípica – uma seca de grandes proporções.
  4. representou uma alternativa ao regime de exploração a que os sertanejos estavam submetidos há séculos, na medida em que cada integrante possuía um pedaço de terra.
  5. concorria, de alguma forma, com a Igreja na medida em que a pregação do beato impulsionava os fanáticos  à criticar os padres e as elites exploradoras.

 

Resposta: Alternativa 5

 

Comentários:

 Alternativa 1 – falsa, pois não existiam, ainda, leis trabalhistas no Brasil.

Alternativa 2 – falsa, pois as secas, de grandes proporções ou não, nunca representaram uma situação de atipicidade.

Alternativa 3 – falsa, pois os sertanejos não possuíam terras.

Alternativa 4 – falsa, pois os fanáticos não frequentavam Igrejas convencionais. Eles ouviam a pregação do beato.

Alternativa 5 – verdadeira, pois movimento messiânico e banditismo social, recorrentes no interior do Brasil na República Velha, foram fruto, entre outras, do descaso das elites e governos. Isso porque, a estrutura fundiária exploradora e opressora era mesmo viciada, uma vez que funcionava assim desde o período colonial.

 

 

QUESTÃO 10. (INÉDITA – MATERIAL CINCO LETRAS)

 

A Guerra de Canudos (1896/97), ocorrida no governo do presidente Prudente de Morais, no sertão brasileiro, foi um conflito de grandes proporções. Se pensarmos que o Arraial de Canudos era humilde e as pessoas, no geral, eram pobres e analfabetas só entendemos ter sido “um conflito de grandes proporções”, se verificamos que o Arraial

  1. cresceu muito, fruto de um misticismo religioso e fanático que incomodou, sobremaneira, as elites e a Igreja Católica.
  2. era composto exclusivamente de homens violentos, oriundos do Cangaço, ou seja, bandidos sociais
  3. produziu gêneros alimentícios para exportação e, nesse sentido,  concorreu com os grandes fazendeiros.
  4. pretendeu e se preparou para entrar em guerra com o governo federal, pois era de orientação ideológica monarquista.
  5. estava fortemente armado com armas de fogo, na medida em que era abastecido pela guerrilha na América latina.

Gabarito: Alternativa 1

 

Comentários 1:

Como imagens explicam muito, trago algumas do Arraial de Canudos que acredito explicaram muito mais do que palavras…..

https://static.historiadomundo.com.br/conteudo/images/o-arraial-canudos-formado-no-interior-bahia-reuniu-milhares-individuos-5808d5bddbbb6.jpg

 

  https://www.google.com/ revoltadecanudos.blogspot.com%252F2008%252F04%252Frevoluo-de-canudos-violncia-seca-fome.html%26psig%3DAOvVaw3w3kBhH2-PjMWj3BNCGibl%26ust%3D1561755122929184&psig=AOvVaw3w3kBhH2-PjMWj3BNCGibl&ust=1561755122929184

 

Comentário 2:

Alternativa 1 – verdadeira, pois o Arraial de Canudos cresceu a partir do fanatismo religioso e incomodou as elites e à Igreja Católica.

Alternativa 2 – falsa, pois, como podemos observar nas imagens, os integrantes do arraial de Canudos, no geral, nada tinham de violentos e não eram bandidos.

Alternativa 3 – falsa, pois o Arraial produzia, mas não objetivava concorrer com os grandes latifundiários. Nem tinham estrutura para isso, como é possível observar na segunda imagem.

Alternativa 4 – falsa, pois eles não pretendiam guerra alguma.  Antônio Conselheiro era monarquista, mas isso não quer dizer que o Arraial tivesse essa ideologia. Eles , no geral, nem sabiam ler!!

Alternativa 5 – falsa, pois não havia guerrilha nesse momento e, muito menos relação entre Canudos e outros movimentos na América Latina.

 

QUESTÃO 11. (ENEM)

ABRAÁO, B. Disponível em: Disponível em: <www.zuzuange.com.br>. <www.brasilicultipro.br>. AcessO em: 18 Taio 2013. Acesso em: 18 maio 2013,

Elaborada em 1969, a releitura contida na Figura 2 revela aspectos de uma trajetória e obra dedicadas à

  1. valorização de uma representação tradicional da mulher.
  2. descaracterização de referências do folclore nordestino.
  3. fusão de elementos brasileiros à moda da Europa.
  4. massificação do consumo de uma arte local.
  5. criação de uma estética de resistência.

 

Resposta: alternativa 5

 

 Comentários:

A estilista Zuzu Angel criou várias coleções e essa, inspirada nas mulheres do cangaço, pretendeu ir contra a cultura da mulher submissa e do lar. Ao contrário, representa uma mulher forte e livre da submissão imposta pelo machismo.

Ela também foi uma ativista e se colocou contra o regime militar, sobretudo depois do desaparecimento de seu filho.

Zuleika Angel Jones, ou apenas Zuzu Angel, foi uma das mais importantes estilistas da história da moda no país, além de incansável oponente da violência do governo militar. Mãe de Stuart Edgar Angel Jones, torturado e assassinado pela ditadura, Zuzu passou anos denunciando as arbitrariedades da repressão até morrer em um acidente de carro suspeito em 1976. (…)

(…) Na manhã do dia 14 de maio de 1971, seu filho Stuart, militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), foi preso no Rio de Janeiro e levado para a Base Aérea do Galeão. Segundo depoimento do preso político Alex Polari de Alverga, que esteve com ele naquela unidade da Aeronáutica, Stuart foi brutalmente torturado e não resistiu, vindo a falecer na noite daquele mesmo dia.

Veja outras peças da coleção criada por ela, na década de 1960.

DISPONÍVEL EM: http://memoriasdaditadura.org.br/biografias-da-resistencia/zuzu-angel/

http://www.zuzuangel.com.br/images/upload/9f6634b5-0207-4621-84f8-bee9f3502ee2.jpg

 

 

 

QUESTÃO 12. (INÉDITA – MATERIAL CINCO LETRAS)

DISPONÍVEL EM: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcR8PO25zm9xpVCTfUxKjVQF-4BGc0w2TlcY-uNFmBIWdHeyzsS1

Em 2018, o fim simbólico do cangaço completou 80 anos. Ou mais precisamente, da morte do seu maior expoente, o cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião. O cangaço é um dos fenômenos mais controversos da história nacional, geralmente categorizado na seguinte dualidade: ou criminosos assassinos ou heróis populares. No Brasil, os cangaceiros continuam sendo uma inspiração no cinema, literatura, música, dança, moda, entre outras expressões artísticas, ao mesmo tempo em que são revisitados com frequência por pesquisadores.A imagem acima é uma foto bastante emblemática acerca do Cangaço brasileiro.

DISPONÍVEL EM :

https://www.nexojornal.com.br/explicado/2018/09/02/A-hist%C3%B3ria-do-canga%C3%A7o-mito-est%C3%A9tica-e-banditismo-no-sert%C3%A3o

 

Toda essa singularidade acerca do Cangaço no Brasil pode ser entendida na medida em que os grupos eram compostos de bandidos espalhados pelo interior do nordeste, tendo o seu surgimento explicado para ajudar os pobres, numa versão brasileira de “Robin Hood”.

  1. a origem humilde e miserável da maior parte dos cangaceiros fez do Cangaço um fenômeno de banditismo no interior, contudo revestido com uma capa de moralidade.
  2. os cangaceiros cresceram tão somente na medida em que foram endeusados pelo cinema, teatro e artes no geral,  numa visão romanceada e fictícia, que esconde a cruel e severa
  3. os grupos, exclusivamente masculinos, tinham um moral bastante rígido e uma ética própria, acreditavam em religiões e deuses diferentes e portanto, eram inimigos e violentos entre si.
  4. os grupos cresceram, somente a partir da bravura de seus membros, pois foram sistematicamente perseguidos pelos governos estaduais e federal, pelo exército, pela Igreja e pelos latifundiários.

Resposta: alternativa 2

Comentários:

Alternativa 1 – falsa, pois essa comparação entre os cangaceiros e Robin Hood é errada, na medida em que os cangaceiros eram mesmo bandidos.

Alternativa 2 – verdadeira, pois o fenômeno cangaço nasceu e cresceu, entre outras, como um subproduto da miséria do interior do país.

Alternativa 3 – falsa, pois é  justamente o contrário, uma vez que o cinema os retratou, pois o fenômeno cresceu muito e sobre ele e muito folclore se criou.

Alternativa 4 – falsa, pois os grupos não eram formados por homens apenas, e eram católicos.

Alternativa 5 – falsa, pois os grupos não cresceram apenas pela bravura de seus membros. Muitos cangaceiros estiveram a serviço do coronelismo.

 

 

QUESTÃO 13. (UNIOESTE)

Fazendo uso do humor a charge acima revela um grave problema de saúde pública que tem assustado muitos brasileiros em pleno início do século XXI. Entretanto, a febre amarela não representa um problema da saúde propriamente novo. Cerca de cem anos atrás, no Rio de Janeiro, capital do país, houve uma grande revolta que teve como estopim a campanha contra a febre amarela, organizada pelo sanitarista Osvaldo Cruz. Esta revolta ficou conhecida como a

  1. Revolta da Chibata
  2. Revolta da Vacina
  3. Revolta de canudos
  4. Revolta dos Balaios
  5. Revolta da Armada

Resposta: alternativa 3

Comentário:

A campanha organizada pelo sanitarista Osvaldo Cruz, que pretendia combater a Febre Amarela no Rio de Janeiro gerou uma enorme manifestação popular contra os métodos empregados, conhecida como Revolta da Vacina.

 

QUESTÃO 14.  (INÉDITA – MATERIAL CINCO LETRAS)

“A Proclamação da República no Brasil, em 1889, gerou expectativas em torno da criação de um novo pacto social, no qual fossem incluídos grupos até então marginalizados politicamente.”

                                                      VICENTINO, C.; DORIGO, Gi. História para o ensino médio – história geral e do Brasil.

 

Porém, desde o início da República no Brasil

 

  1. coube aos camponeses mais humildes do sertão contentarem-se com a manutenção de uma situação igual aos períodos anteriores, pois só aos trabalhadores urbanos foram concedidas leis trabalhistas.
  2. houve bem sucedidas reações populares contra o governo estabelecido, como, por exemplo, a Guerra de Canudos e a Revolta da Chibata, em que os trabalhadores conseguiram todas as reivindicações feitas.
  3. ficou claro aos trabalhadores urbanos, no geral, que os governantes não tomariam medidas no sentido de minimizar a exploração e essa constatação levou ao início do movimento operário na República Velha.
  4. ficou evidente que com essa república não ocorreriam transformações sociais no país, pois a aliança entre a elite cafeeira e outras elites nacionais garantiam a manutenção da escravidão.
  5. estabelecia-se a manutenção da exclusão dos trabalhadores no plano político, pois o voto censitário não permitia aos mais humildes votar, apesar dos imensos avanços sociais e trabalhistas.

 

Gabarito: alternativa 5

Comentários:

Alternativa 1 – falsa, pois na República Velha não existiam leis trabalhistas.

Alternativa 2 – falsa, pois os movimentos sociais foram, no geral, reprimidos sem que os trabalhadores nada ou quase nada conseguissem.

Alternativa 3– falsa, pois a escravidão já fora abolida.

Alternativa 4– falsa, pois os trabalhadores eram excluídos políticos, pois, no geral, eram analfabetos e não podiam votar.

Alternativa 5 – verdadeira, pois a precária indústria nascente fez nascer o operariado nacional e, com ele os primeiros sindicatos, ainda que clandestinos, o anarco sindicalismo e, posteriormente o PCB (Partido Comunista Brasileiro).

 

QUESTÃO 15. (INÉDITA – MATERIAL CINCO LETRAS)

Na República Velha, no governo de Rodrigues Alves (1902/06), O Brasil viveu uma aparência de progresso. Houve uma relativa tranquilidade econômica. A capital, o Rio de Janeiro, foi reconstruída. O centro, onde se localizava a velha cidade colonial, foi amplamente reformado e largas avenidas substituíram ruas estreitas. Houve planos de urbanização e o sonho de transformar a cidade numa “Paris tropical”.

Para que essa modernização ocorresse enormes contingentes populacionais pobres foram expulsos de suas casas, no geral, em cortiços e, claro, a tensão na cidade do Rio de Janeiro aumentou!!

 

Nesse ambiente

 

  1. ocorreram inúmeras revoltas urbanas, tal como a Revolta popular de 1904, fruto exclusivamente da rígida moral dos mais humildes.
  2. houve sublevações de marinheiros, nos famosos couraçados Minas Gerais e São Paulo, com o objetivo de buscarem tão somente melhores salários .
  3. organizou-se, no exército, a Revolta da Armada, pois os tenentes monarquistas buscavam o retorno da família real ao poder e a derrubada dos cafeicultores.
  4. aconteceu a Revolta do Forte de Copacabana, rebelião do tenentismo que visava acabar com o predomínio das oligarquias e estabelecer um governo socialista.
  5. ficou claro que a república fora proclamada pelas e para as elites e estava fundada na exclusão das camadas mais pobres da sociedade brasileira.

 

Gabarito: Alternativa 5

 

Comentários:

 Alternativa 1 – falsa, pois a Revolta popular de 1904, ou Revolta da Vacina, ocorreu por vários fatores e não somente em função da rígida moral dos mais humildes.

Alternativa 2 – falsa, pois as sublevações dos marinheiros ou revolta da Armada ocorreram posteriormente, em 1910, e houve várias reivindicações, inclusive o fim do uso da chibata para castigar marinheiros.

Alternativa 3 – falsa, pois a Revolta da Armada ocorreu anteriormente, no governo de Floriano Peixoto, e não foi liderada por tenentes e tampouco eram monarquistas.

Alternativa 4 – falsa, pois o movimento tenentista é da década de 1920, e não pretendia um governo socialista.

Alternativa 5 – verdadeira, pois a república foi proclamada pelo exército, com o apoio das elites e depois dos dois primeiros presidentes militares, foi a elite agrária que se instalou no poder. A ausência de leis trabalhistas favoreceu à manutenção da exclusão social.

 

 

QUESTÃO 16. (ENEM)

 Os seus líderes terminaram presos e assassinados. A “marujada” rebelde foi inteiramente expulsa da esquadra. Num sentido histórico, porém, eles foram vitoriosos. A “chibata” e outros castigos físicos infamantes nunca mais foram oficialmente utilizados; a partir de então, os marinheiros – agora respeitados – teriam suas condições de vida melhoradas significativamente. Sem dúvida fizeram avançar a História.

MAESTRI, M. 1910: A revolta dos marinheiros – uma saga negra. São Paulo: Global, 1982. 

 

 A eclosão desse conflito foi resultado da tensão acumulada na Marinha do Brasil pelo(a)

  1. engajamento de civis após a emergência de guerras externas.
  2. insatisfação de civis positivistas após a consolidação da política de governadores.
  3. rebaixamento de comandantes veteranos após a repressão a insurreição milenarista.
  4. sublevação das classes populares do campo após a instituição do alistamento obrigatório.
  5. manutenção da mentalidade escravocrata da oficialidade após a queda do regime imperial.

 

Resposta: alternativa 5

 Comentários:

Além das péssimas condições de vida, tais como jornadas longas, péssimos salários e alimentação, os marinheiros eram submetidos a castigos físicos, tal como a chibata. Ora, fica clara a manutenção de uma mentalidade escravocrata, pois os marinheiros eram, no geral, negros.

 

 

QUESTÃO 17. (Ceeteps – SP – adaptada)

Canudos foi um movimento social que ocorreu em fins do século XIX e que envolveu milhares de nordestinos. Nas últimas décadas o Movimento dos trabalhadores Rurais Sem Terra, um movimento social, também envolveu milhares de pessoas.

Comparando os dois movimentos, observamos que há semelhanças, tais como a constatação de que

  1. os objetivos sociais eram os mesmos, apesar de Canudos defender os produtores nordestinos e o Movimento dos Sem Terra os trabalhadores do Sudeste.
  2. em ambos existe a luta por melhores condições de vida e de trabalho e a negação do desemprego, pois são fruto de movimentos messiânicos.
  3. em ambos fica clara a luta pela terra e a necessidade, desde o início, do uso de armas de fogo a fim de se atingir os objetivos pretendidos.
  4. os dois movimentos lutaram e lutam pela manutenção de pequenas propriedades e pelo desenvolvimento de uma política de cooperação agrícola.
  5. em ambos observamos a luta pela terra e a defesa de condições de vida mais digna para os seus participantes.

 

Resposta: Alternativa 5

Comentários:

Os dois movimentos representam trabalhadores humildes que, de alguma forma, lutam por terra, mas só Canudos teve sua origem no messianismo.

Os movimentos não pregam, na sua formação, o uso de armas.

 

QUESTÃO 18. (UFG – GO)

A Guerra de Canudos (1896/97) é emblemática no debate sobre a formação da nação no período republicano. A República recém-proclamada enfrentou um Brasil desconhecido: o sertão e os sertanejos.

 

A Guerra, tragicamente, significou um aprendizado para os brasileiros demonstrando que a

 

  1. fragmentação e as grandes distâncias das regiões litorâneas impediram a organização e o crescimento das comunidades sertanejas.
  2. unidade cultural do país é fruto de um longo processo de gestação iniciado com a ocupação do litoral e o fabrico de açúcar.
  3. presença da Igreja Católica no sertão representava um elo entre a comunidade e as autoridades republicanas.
  4. frágil base política em que se assentava o governo republicano foi incapaz de reconhecer a questão social e cultural suscitadas em Canudos.
  5. resistência política dos monarquistas organizados no arraial de Canudos era uma ameaça à ordem republicana.

 

Resposta: Alternativa 4.

Comentários:

 

O Estado republicano brasileiro era jovem. Nesse sentido, as bases republicanas eram frágeis. Some-se a isso o fato da república, a partir de Prudente de Morais, começar a consolidar o chamado poder oligárquico que só privilegiava determinados grupos. Vale lembrar que o poder oligárquico se caracteriza por ser o poder de poucos. Pode-se entender, portanto, que “o governo republicano foi incapaz de reconhecer a questão social e cultural suscitadas em Canudos”, conforme afirma a alternativa D.