Epidemias, um enredo que se repete

Epidemias, endemias, pandemias, seja qual for o prefixo, o fato é que os microorganismos têm trazido sofrimento aos seres humanos ao longo de sua jornada histórica. Desde os períodos a que reporta a Bíblia, como as referências ao tifo, tuberculose, hanseníase, quando os infectados eram colocados para a iminente e dolorosa morte nos “vales dos imundos”, até os períodos de desatino com as grandes batalhas ou guerras, como a do Peloponeso, séc. V a.C, quando os atenienses ganharam no terreno de combate corpo a corpo contra os espartanos, mas foram vencidos pela febre tifoide, até a batalha final de Napoleão Bonaparte, quando os soldados foram vencidos pela, fome, frio, cansaço e, segundo algumas fontes, pela febre amarela, em São Domingo, colônia francesa no Caribe, século XIX, o problema é grave e recorrente.

O imaginário europeu ainda é assombrado pela Peste Negra, séc.XIV, quando cerca de 40 milhões de pessoas foram vitimadas pela bactéria Yersinia pestis. Oriunda da Ásia, tendo chegado nos pelos dos ratos, infiltrados nos porões dos navios, a peste bubônica judiou de suas vítimas, ao ponto de demarcar tão tragicamente esse período da história. A falta de medidas higiênicas, sanitaristas, muito colaborou para que ela se alastrasse sem grandes entraves. Mais uma vez as espadas, a coragem, a audácia e ambição humanas, foram vencidas por um agente invisível, mas letal.

A conquista de territórios, o alargamento dos domínios europeus para o Novo Mundo também tem sua página nesse volume extenso de sombrio enredo. Cabe aos portugueses e espanhois o triste protagonismo no tombamento de seus destemidos corpos nas selvas da América Central e do Sul, quando picados pelo Aedes aegypti, eram acometidos por complicações hepáticas irreversíveis. E em períodos posteriores, menos mortífera mas dolorosa, pelo mesmo vetor, sofreram com a Dengue, e pelo não menos perigoso mosquitinho, anófeles, responsável pela transmissão da malária.

E tantos exemplos não foram suficientes para que o século XIX, no Brasil, ainda a Febre Amarela e a varíola, tão virulenta, não cumulasse os registros médicos de tantas vidas ceifadas. Ainda hoje, século XXI, com tantas vacinas, possibilidades de informação, conhecimento sobre os processos de transmissão, as taxas de infectados como vírus da AIDS cresce, principalmente entre os jovens. Os moços e moças, uma vez infectados pela prática, principalmente, do sexo sem proteção, que não conheceram o drama de Cazuza de tantos outros na década de 90 do século XX, crêem-se, ingenuamente, livres da dor e da morte pelos cockteis, medicação poderosa que inibe o aparecimento dos sintomas da doença, mas que não podem elimina-la.

Dengue, Xicungunha, febre amarela, tuberculose, Mal de Hansen, quantas outras mais virão pela proliferação de microorganismos em razão da indisciplina do homem com a higiene, com medicas sanitaristas, com a regular e ampla vacinação e bom senso? Haja Oswaldo Cruz, Carlos Chagas, Ezequiel Dias…

CLEIDE SIMÕES
Imagem: Aedes aegypti – Wikipédia

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