Epidemias à luz da história

Desde os primeiros anos do século XX, com a revitalização da conduta sanitarista inspirada por Oswaldo Cruz e o desenvolvimento de novas tecnologias, as doenças parasitárias ou transmitidas por vetores passaram a ser designadas como epidemias ou pandemias, principalmente nos núcleos rurais. Naquele momento, mais comuns eram a Febre Amarela, a Leischmaniose, a Doença de Chagas, o Bócio endêmico e a bouba. O aprimoramento na percepção dos fenômenos foi bastante significativo, uma vez que até recentemente explicava-se os mesmos pela medicina dos humores, como a influência dos ventos, da chuva, dos humores, de forma geral.

A microbiologia avançou como ciência, refreando, com o desenvolvimento da etiologia, males que tanto maltratavam as populações, como a varíola,, a febre amarela e a cólera. Muito recentemente, fins do século XIX, Emílio Ribas ficou conhecido por adotar medidas de controle do Aedes aegypti nas áreas onde havia extensa plantação de café, no interior de São Paulo, que muito sofriam com a febre amarela silvestre.

Pelo mar, viajou nos navios mercantes, também em fins do século XIX, a temida peste bubônica. A resposta no combate a epidemia veio rápida por parte do governo de São Paulo bem como a ação investigativa e sanitarista de Vital Brazil. O eminente cientista impediu a proliferação, restando apenas focos em algumas regiões interioranas. Além disso, o espectro do trágico quadro europeu apressou a criação do excelente Instituto Butantan, bem como Instituto Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro.

A varíola merece destaque neste momento, pois a vacina já estava em uso, embora houvesse muita resistência por parte da população. Funcionários da saúde pública eram pouco habilitados para o ofício da vacinação e boatos extravagantes circulavam nas ruas, como o fato de a vacina, sendo extraída da vaca, deixaria a pessoa com cara de bezerro. Isso bastou para uma revolta, em 1904, que deixou dezenas de mortos.

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Acesso em 02/11/2018

Em 1920, foi criado o Departamento Nacional de Saúde Pública, sob a tutela do discípulo de Oswaldo Cruz, Carlos Chagas. Cientista com um currículo promissor. Em 1909, encarregado de supervisionar os trabalhos de saúde pública na Estrada de Ferro Central do Brasil, constatou que a doença que paralisara as obras não era malária ou sífilis, como até então se acreditava. O “baticum” que os doentes reclamavam como incômodo no peito, eram sintomas de uma doença cardíaca desenvolvida pelo parasita Tripanossomos, que tem o inseto barbeiro como vetor.

Desde 1930, com o crescimento dos centros urbanos e desenvolvimento do processo de industrialização, novas tentativas foram incrementadas para a melhoria da saúde pública e controle das epidemias, como a Lei 6.229, em 1975, que criou o Sistema Nacional de Saúde. Em 1988, a Constituinte Cidadã revigorou a iniciativa, criando o SUS ( Sistema Único de Saúde), que hoje presta serviços e prevenção e cura da população brasileira.

Rosana Chatti
Imagem: Vaccino-Obrigateza – Wikipédia

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