Desastres Ambientais em Minas

DESASTRES AMBIENTAIS EM MINAS
ACONTECEM DESDE O SECULO XVII SIM!

 

No final do século XVII, ainda no período colonial brasileiro, Minas Gerais inaugurava a exploração do ouro e, em seguida, do diamante. Além do ouro de aluvião, explorou-se ouro em escavações subterrâneas, atividade mais rentável, e a prova disso são as centenas de quilômetros de túneis que ainda subsistem nas regiões onde se concentrou essa economia. Centros como Ouro Preto e Mariana surgiram assim, em decorrência dessas atividades, bem como Bento Rodrigues, um subdistrito. Mas os impactos ambientais vieram a galope, tais como o assoreamento dos rios em função das grandes quantidades de refugos da mineração, e a erosão causada pelo descampo de morros.

O ouro esgotou-se ou tornou-se escasso com o passar do século, mas a exploração sobre a região jamais parou, sobretudo pelas mãos de empresas inglesas e alemãs, ao longo do século XIX! No início do século XX, Minas Gerais produzia 90% do ferro-gusa do país, 60% do aço e 50 % dos laminados. Com o tempo, o governo sentiu a necessidade de criar um mecanismo mais comercial e de controle desse processo.

Foi Vargas, a partir de um discurso nacionalista que, firmando parcerias nacionais e estrangeiras, criou a Companhia Vale do Rio Doce.

Nos anos 1960, a a Usinimas e Acesita já formavam o ¨Vale do Aço¨ e, no governo militar, houve apoio governamental a empresas estrangeiras que atuassem no extrativismo em Mina Gerais. Destaque para a Samarco, fundada em 1977, e controlada por um grupo estrangeiro e pela Vale S.A. Essas mineradoras, logicamente, proporcionaram o crescimento de empregos, mas também foram responsáveis, direta ou indiretamente, por grandes e graves acidentes ambientais nas últimas décadas.

Os especialistas dizem que o rompimento da barragem de Fundão era ¨morte anunciada¨, outros afirmam que as centenas de barragens de rejeitos construídas no Brasil são frágeis, obsoletas e que muitas irão romper!!! A barragem do Feijão inaugurou um novo ciclo. O que se presenciou recentemente foi não só um rico e vital patrimônio ambiental transformar-se em lama, como a trágica eliminação de centenas de vidas humanas. Falta de fiscalização, compromentimento de grandes conglomerados, ineficiência dos órgãos de controle de tragédias, ganância, são algumas das causas desse quadro que chocou o mundo em Brumadinho.

É um acréscimo a leitura da entrevista com o ambientalista e medico Apolo Lisboa que, apesar de ser de 2015, no momento do desastre de Mariana, continua, lamentavelmente, muito atual!

 

Rosana Chatti